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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Berlim inaugura seu mais novo e controverso centro cultural

Após série de adiamentos, Humboldt Forum inicia abertura em etapas. Situado no mesmo lugar da residência oficial dos reis da Prússia, prédio reproduz fachada do antigo palácio barroco.



Três das fachadas do Humboldt Forum reproduzem fielmente o palácio barroco que era residência dos reis da Prússia

É sabido que, em Berlim, grandes projetos de construção tendem a demorar um pouco mais. A data de inauguração costuma ser protelada com frequência. Um exemplo disso é o novo aeroporto, que deve começar operações neste mês após um atraso de mais de oito anos. Nesta quarta-feira (07/10) foi a vez do anúncio da abertura de outro grande projeto da capital alemã: o Humboldt Forum.

A data prevista para o início da abertura gradual do centro cultural é o próximo 17 de dezembro, quando o público passará a ter acesso ao subsolo e ao andar térreo do prédio; as exposições no segundo e terceiro andares e a plataforma de observação no telhado só poderão ser visitadas em etapas posteriores ao longo de 2021.


Pátio interno do Humboldt Forum deve ficar aberto 24 horas

Situado num prédio cuja fachada é uma reconstrução do Palácio da Cidade de Berlim (Berliner Stadtschloss), antiga residência oficial dos reis da Prússia, o Humboldt Forum deveria ser inaugurado em 2019, por ocasião do 250º aniversário do naturalista que dá nome ao centro cultural, Alexander von Humboldt.

Inúmeros atrasos na construção conduziram a adiamentos – e aumentaram os custos em cerca de 50 milhões de euros (cerca de R$ 328 milhões). Mais recentemente, a pandemia de coronavírus também afetou as obras: devido aos bloqueios em toda a Europa, muitos trabalhadores não puderam entrar, e a entrega de materiais também parou.

Abertura em etapas

As seções da construção serão abertas em etapas a partir do final do ano. Em primeiro lugar estão o Schlüterhof (pátio interno batizado em homenagem ao escultor e arquiteto barroco Andreas Schlüter) e o corredor que leva até ele. Ambos devem ficar acessíveis 24 horas por dia. No subsolo e no piso térreo, exposições fornecem informações sobre a história do lugar, assim como sobre Alexandre e seu irmão Wilhelm von Humboldt. Três exposições serão abertas experimentalmente no primeiro andar a partir de janeiro.

Palácio da República, sede do Parlamento alemão-oriental, foi demolido para construção do Humboldt Forum

Erguido a um custo de cerca de 644 milhões de euros (R$ 4,25 bilhões), o Humboldt Forum tem fachada que reproduz fielmente o palácio barroco original, destruído na Segunda Guerra Mundial e demolido a partir de 1950, dando lugar ao Palácio da República, sede do Parlamento da Alemanha Oriental, que, por sua vez, foi demolido em 2008.

Controvérsias

A reconstrução do Palácio da Cidade de Berlim é baseada em um projeto do arquiteto Franco Stella, que reproduziu três das quatro fachadas externas, incluindo a cúpula e as três fachadas barrocas do pátio interno, foram reconstruídas.

Entretanto, o interior do prédio não reproduz o palácio original. A construção e a reconstrução foram alvo de polêmicas por anos. O projeto vem sendo criticado desde o início da fase de planejamento, e para muitos seria desnecessária. Uma das grandes controvérsias envolve a cúpula da construção, com inscrições e símbolos que lembram o colonialismo.


 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Berlim mostra como se "arrumam" estátuas polémicas



Estão arrumadas numa sala da Cidadela de Spandau, em Berlim, as polémicas estátuas que Guilherme II, Rei da Prússia e último Imperador da Alemanha, mandou erguer na chamada Avenida da Vitória. As representações de distintos prussianos ainda fizeram parte da narrativa nazi, mas as que sobreviveram às duas guerras dos século passado estiveram escondidas até há bem pouco tempo.

O Museu de História de Spandau guarda muitas representações polémicas. A diretora considera que os alemães estão uns passos à frente na forma de lidar com o passado negro. Berlim é um exemplo disso, cheia de sinais do periodo nazi e da ditadura soviética. Mas Urte Evert admite que falta saber lidar com as representações do colonialismo - uma polémica já antiga nos Estados Unidos, Reino Unido ou França.

JOHN MACDOUGALL/AFP
Parte das 96 estátuas comissionadas por Guilherme II da AlemanhaJOHN MACDOUGALL/AFP


O objetivo deste museu em Berlim é enquadrar as obras, sobretudo do ponto de vista histórico. Seja o "Decatlo", traçado a pedido de Hitler para os jogos olímpicos de 1936, ou a cabeça de Lenine, que era central na praça que levava o nome do antigo líder soviético e que hoje se chama Praça das Nações Unidas.

A figura "Negra de Cócoras", já tinha também como destino a Cidadela. Nos últimos anos foi alvo de vários atos de vandalismo e as autoridades decidiram retirá-la do espaço público, considerando-a racista. Esta semana voltou a ser vandalizada. Foi decapitada e a cabeça está em parte incerta.