quarta-feira, 6 de junho de 2018

Técnicos de alto nível


Parreira vai chefiar Grupo de Estudos Técnicos da Fifa na Copa

Publicado em 06/06/2018 - 10:58

Por Aécio Amado - Repórter da Agência Brasil Brasília




O brasileiro Carlos Alberto Parreira, recordista de participações em Copas do Mundo, comandando seleções de cinco países em seis mundiais, vai chefiar o Grupo de Estudos Técnicos da Federação Internacional de Futebol (Fifa) na Copa do Mundo na Rússia, que será aberta no dia 16 de junho com o jogo entre as seleções da Rússia e Arábia Saudita. Segundo a Fifa, o grupo, que existe desde a Copa na Inglaterra, em 1966, tem por objetivo analisar os jogos da competição e preparar um relatório técnico que será enviado a todas as federações que integram a entidade.

De acordo com a Fifa, caberá ao grupo decidir também sobre a premiação dos melhores jogadores da Copa em diversas categorias, entre elas, o ganhador da Chuteira de Ouro, prêmio para o atleta com o maior número de gols na competição. Nesse caso específico, caso aconteça de dois ou mais atletas alcançarem a artilharia com o mesmo número de gols, o ranking técnico do número de assistências (passes para gol) preparado pelo grupo definirá a escolha do vencedor da Chuteira de Ouro, Prata e Bronze.


Equipe técnica dá coletiva no centro de mídia na Granja Comary. Na foto, o coordenador técnico, Carlos Alberto Parreira (Tomaz Silva/Agência Brasil) - 26 17:10:15

O Grupo de Estudos reúne, além de Parreira, outros nomes ligados ao futebol como o sérvio Bora Milutinović, que treinou cinco seleções em cinco edições da Copa do Mundo; o ex-jogador nigeriano Emmanuel Amunike, que participou da Copa do Mundo de 1994; o italiano Alessandro Nesta, que defendeu a seleção da Itália em três Copas; o treinador escocês Andy Roxburgh, que dirigiu a seleção escocesa na Copa do Mundo de 1990; e o holandês Marco van Basten, considerado um dos maiores atacantes de todos os tempos e o melhor jogador do mundo da Fifa, em 1992. Van Basten defendeu a seleção holandesa em quatro mundiais.



Edição: Aécio Amado




segunda-feira, 28 de maio de 2018

Colômbia


Conservador e ex-guerrillheiro disputam em junho 2º turno na Colômbia
Publicado em 28/05/2018 - 06:32
Por Monica Yanakiew - Repórter da Agência Brasil Buenos Aires






Os 36 milhões de eleitores colombianos voltarão às urnas no dia 17 de junho para escolher o próximo presidente entre dois candidatos: um de direita e outro de esquerda, com propostas politicas e econômicas diferentes. O advogado conservador Iván Duque venceu o primeiro turno nesse domingo (27) com 39% dos votos. O ex-guerrilheiro Gustavo Petro ficou em segundo lugar, com 25% dos votos. Ambos esperam atrair os simpatizantes do matemático Sergio Fajardo, candidato de centro-esquerda, que surpreendeu conquistando quase 24% dos votos.

A disputa pelos votos dos candidatos mais moderados, excluídos do segundo turno, já começou. Duque e Petro têm algo em comum: uma mulher como vice. Mas o divisor de águas é o acordo de paz, assinado há dois anos, entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) – a maior guerrilha do pais. O documento encerrou meio século de guerra civil: 7 mil guerrilheiros depuseram suas armas, em troca de anistia e o direito de formar um partido politico com a mesma sigla, com dez assentos garantidos no Parlamento até 2026.

Duque e Petro
Assim como seu padrinho politico, o ex-presidente Alvaro Uribe – Duque foi um duro crítico do acordo, por achar que foram feitas demasiadas concessões aos ex-guerrilheiros. No discurso, comemorando a vitória no primeiro turno, ele ressaltou que não vai destruir o documento, assinado em 2016, pelo atual presidente, Juan Manuel Santos, e Rodrigo Londoño, o líder das Farc, conhecido por Timochenko. o candidato deu a entender que vai rever o perdão a ex-guerrilheiros que financiaram suas atividades com o narcotráfico. Ele também se comprometeu a combater a corrupção – um dos pilares da campanha de Fajardo.

Petro apoia o acordo de paz: ele é a prova de que pode funcionar. Antes de ser legislador e prefeito de Bogotá, ele foi guerrilheiro do M-19. O grupo aceitou depor as armas em 1990, para formar um partido politico. No discurso, apos o primeiro turno, ele destacou a importância de uma Colômbia com propostas diversificadas, e não apenas um único modelo de país. O candidato propõe reduzir a dependência da economia colombiana no petróleo e carvão, além de cobrar impostos aos latifúndios improdutivos e investir em produção. Petro falou da importância da educação – a principal bandeira defendida por Fajardo.

Eleições
Mais da metade dos eleitores colombianos foram às urnas nesse domingo – foi a maior participação em quase duas décadas. Um dos motivos foi a falta de violência: o grupo guerrilheiro Exercito de Libertação Nacional (ELN) aceitou um cessar-fogo durante a votação e também está negociando a paz com o presidente Juan Manuel Santos.

Apesar de o acordo de paz ter sido o tema nessa histórica eleição, os assuntos que hoje preocupam o eleitorado colombiano são o desemprego (9%) e a segurança, os ex-guerrilheiros, ex-paramilitares e os narcotraficantes, que estão ocupando as áreas antes controladas pelas Farc.
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Edição: Graça Adjuto


sábado, 5 de maio de 2018

Dilma Rousseff, uma brasileira


"Infelizmente assinei a lei da delação premiada", diz Dilma
Em evento em Londres, ex-presidente afirma que legislação virou "arma de arbítrio e exceção" e critica Operação Lava Jato por "destruir" grandes empreiteiras brasileiras.




 Dilma Rousseff: "Se se mente sob tortura, imagina se não se mente sob delação premiada"

A ex-presidente Dilma Rousseff lamentou neste sábado (05/05) ter assinado a lei que prevê a colaboração premiada. "Infelizmente assinei a lei que criou a delação premiada. Digo infelizmente porque ela foi assinada genericamente, sem tipificação exaustiva. E a vida mostrou que sem tipificação exaustiva ela poderia virar uma arma de arbítrio, de absoluta exceção", disse a ex-presidente. 

Foi durante o primeiro mandato de Dilma, em 2013, que a colaboração premiada acabou sendo institucionalizada, por meio da sanção pela petista da Lei de Organizações Criminosas. Desde então, o instrumento tem sido uma ferramenta largamente utilizada pela força-tarefa da Operação Lava Jato, que sacudiu o mundo político e atingiu em cheio o PT, além do PMDB e do PP.

Dilma também comparou a forma como as delações premiadas da Lava Jato vêm sendo negociadas com uma forma de tortura. "Prendem e submetem a uma forma de controle. Na minha época era uma moleza: era só ser preso – já que torturavam, tinha pau de arara, choque, afogamento e morte. Para nós era considerado leve, mas para as pessoas normais ser preso é gravíssimo: é perder a liberdade e o direito de ir e vir. Por isso em alguns países se usa a exigência de que a delação só possa se dar sob condições voluntárias. Porque do contrário você submete e induz a pessoa a dizer o que você quer ouvir. A tortura faz isso. A tortura faz a pessoa dizer o que se quer. Às vezes a pessoa não diz, mas às vezes a pessoa mente. Se se mente sob tortura, imagina se não se mente sob delação premiada", disse.

As declarações de Dilma foram feitas na abertura do Brazil Forum UK, na London School of Economics, em Londres. A conferência, que é organizada por estudantes brasileiros de várias universidades britânicas, tem como tema neste ano os 30 anos da Constituição de 1988. Mais cedo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso também concedeu uma palestra.

Além da Lei das Organizações Criminosas, Dilma disse que seu governo e o de seu antecessor e padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ajudaram a criar ou implementaram outros mecanismos contra a corrupção e o crime, como a nomeação de procuradores-gerais independentes e investimentos na Polícia Federal. "O lulopetismo era o inimigo a ser destruído. Utilizaram o que nós mesmos construímos contra nós", disse.

"Lula é o candidato do PT"
Dilma foi recebida no fórum por uma ampla plateia de apoiadores. Vários membros do público gritaram frases em apoio a Lula e contra a Rede Globo e o juiz Sérgio Moro. Bem à vontade no ambiente, Dilma voltou a afirmar que foi vítima de um "golpe parlamentar". Segundo ela, a condenação e prisão de Lula é mais uma etapa desse golpe. "Foi um golpe parlamentar. Articulado pelo partido da mídia e da toga, parte da elite e pelos partidos que organizaram", disse ela.

Dilma também lançou outras críticas contra a Lava Jato. Ela afirmou que as cinco maiores empreiteiras do país foram "sistematicamente destruídas" durante o processo de combate à corrupção. "Quando a Volkswagen e a Siemens foram pegas, ninguém destruiu as empresas", disse Dilma, citando o caso das empresas alemãs que foram processadas por envolvimento em casos de falsificação de emissões e pagamentos de subornos. "Você teve um processo contra os corruptores, mas não contra a instituição."  

"Eram as cinco maiores empresas, que concorriam em qualquer lugar do mundo. Acho isso muito estranho", disse, em referência às empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão. Todas foram investigadas na Lava Jato e acusadas de participar de um esquema de corrupção que saqueou a Petrobras. "Você não destrói a instituição porque você destrói emprego". Ela também criticou a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que no ano passado mirou grandes frigoríficos do país por suspeita de irregularidades.

Por fim, Dilma voltou a afirmar que o PT não cogita outra candidatura à Presidência que não a de Lula, que está preso e é ameaçado pela Lei da Ficha Limpa. "O PT não vai tirar o Lula nem oferecer outro candidato. Nós iremos sustentar a posição de inocência, e não cabe a nós tirar o Lula das eleições. Ele é uma ideia de unidade. Se o Lula participar, ele ganha a eleição", disse Dilma.

Ela, no entanto, disse que não vê o PT dominando para sempre as candidaturas de esquerda no país em eleições posteriores a 2018. "Seria absurdo discutir plano B. Mas isso não significa que eu ache que os candidatos do futuro serão todos do PT. Nós vamos ter que passar o bastão para as novas gerações", completou.
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